Eu posso ser o Seu Demônio.

A Bailarina me disse que a Briza disse a ela: "Escrever é desenhar o que se sente..." A Briza estava certa!

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Location: Recife, PE

Tuesday, June 12, 2007

Manhã de inseto.

Dizem os livros que todo homem, seja ele cristão ou pagão, possui um lado místico. Eu nunca duvidei disso.
A porta do meu quarto se abriu sozinha. Pela fresta eu podia ver o espelho pendurado, refletindo o verde-lodo do corredor e ao fundo o Picasso na parede da sala. Meus olhos ainda tinham vontade própria e adormecer novamente seria de fato inevitável.
Sonhei com não sei o quê, mas o sentimento de culpa me dizia que não fora um sonho bom. Levantei. O chão estava demasiadamente frio, contrastando com o sol brilhante que invadia toda a casa. Pus os pés no corredor e... Bom dia! Me cortei com um caco de vidro. Um copo quebrado, vestígios da noite passada da qual não me lembro de nada. Caminhei do corredor até o banheiro observando o rastro de sangue vivo. Pensei em não limpar mais. O sangue fresco tem uma coloração única, mas quando seca se torna apenas um tom de vermelho opaco. Morto. Decidi limpar o sangue ainda respirando.
A sala estava em perfeita ordem. O espírito da noite passada estava manso, certamente sedento por repouso e escuridão. Lá fora um som tranqüilo como música clássica. Era a manha do domingo, espalhando o zumbido dos ventos pelo bairro inteiro.
Na geladeira não havia mais do que dois ovos, um copo de leite e um pão árabe gelado. Café da manhã. Completei com um copo d’água e o cigarro de lei. Fumei, observando o comboio de formigas que escalava a imensa pilha de pratos sujos, numa procura nervosa pelos restos de comida.
Odeio insetos. Certamente o que mais me incomoda nesses pequeninos não é a sua aparência repelente e sim a sua luta incessante por sobrevivência. Enquanto os donos do mundo aqui em cima se matam por um big big, o mundinho lá embaixo parece outro, onde uma pilha de pratos sujos significa uma puta situação.



Seria um dia incrível, cheio de tempo livre e inspiração. Ah se meu corpo também pensasse assim. Em contato com a luz, minha cabeça latejava e a minha miopia parecia ter aumentado uns três graus.
O caminho de volta ao quarto parecia infinito. Olhei meu corpo nu no espelho e sem roupas eu conseguia a proeza de ficar ainda mais feio. Pele, ossos e pelos. Uma triste figura.
Novamente o quarto. Apertei o botão vermelho do controle remoto e só. Assisti a mossa do Padre Marcelo, imaginando como seria o domingo de uma formiga escalando uma pilha de pratos sujos.

8 Comments:

Anonymous Anonymous said...

vc tem o meu espirito triste

11:09 AM  
Anonymous sombra said...

será.?

ou será a sindrome de zukerman afetando vc!
isso é so ficção... pelo menos é o q eu acho

11:11 AM  
Anonymous a.l.e.x. said...

zukerman! com certeza!

11:12 AM  
Anonymous Anonymous said...

o corpo arrasta,
desiste.
a mente aponta,
insiste:
prum corpo escuro.
pruma boca escura,
pruma cidade escura
pra dentro de mim.

10:22 AM  
Anonymous silvinha said...

isso é ressaca meu velho!!
:P

bjo pim!

6:50 AM  
Anonymous Anonymous said...

traga-me um copod'agua! tenho sede disso tudo.!

6:24 PM  
Anonymous jessika said...

Que legal esse negócio ai q tu escreveu!


vixe bem melancolico no fim né?
iaiaihauhauha


abraçoo

fikou massa esse blog

6:17 AM  
Blogger No Silêncio das Montanhas a Linguagem dos Ventos said...

Guterrez!!

Visitando,degustando suas paiasagens!Quero visitar mais vezes!Com calma...

xerão raro de Flô

1:01 AM  

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