Eu posso ser o Seu Demônio.

A Bailarina me disse que a Briza disse a ela: "Escrever é desenhar o que se sente..." A Briza estava certa!

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Monday, February 13, 2006

A violência sem a palavra “sangue”




Naquela noite não havia lua, nem um instinto prévio que me fizesse caminhar por aquelas ruas escuras. Não estava frio, o meu corpo, porém o hálito gélido que exalava das sarjetas me remetiam aos lúgubres jardins por onde andara em episódios remotos de minha jornada falsa.
Meus conflitos inevitáveis e minhas respostas nada conclusivas me enchiam ainda mais de curiosidade, por isso ainda estava lá. Procurando pelo amigo inesperado ou pela bela dama dos meus sonhos. Não era evidente a minha tortura, pelo contrário, me fazia passar despercebido por entre os cavalheiros e seus chapéus, pelas senhoras e pelos garotos que não notavam o iminente silêncio que as esquinas negras emanavam.
Sabia eu ter sido alvo de acusações infundadas e teria que pagar o preço por não ter sido sagaz o suficiente para me esquivar de todo aquele veneno. Prometi não olhar para tras, pois suspeitei estar sendo perseguido. Continuei e depois de certo tempo não tinha mais idéia de onde estava. Tudo estava fora de ordem, meus jornais e diários não eram mais só meus e minhas palavras agora eram o motivo principal de minha desventura.

Pego-me surpreso com a claridade em meu rosto, atordoado como quem acorda de um sonho, na rua agora clara. No chão mesmo. O velho faminto, com suas luvas encardidas me olha e estende a mão. Reticente.
Logo que me pus de pé, torno a cair na inevitável duvida: delírio ou verdade? Minha mente só pedia o negro e a vergonha me furava os calcanhares. Enclausurei-me aflito no escuro de meu quarto a fim de cavar ainda mais fundo para que ninguém mais encontrasse.
Por muitos dias eu fiquei pensando, procurando a melhor saída para que esse golpe me doesse menos, travestido meus medos e relevando as evidências mais claras do meu suposto erro. Eu não aceitava a idéia de que essa balburdia que me irrompeu a rotina pudesse em fim delatar a minha contida nobreza e corria agora contra o tempo, que sempre tive como mais terno amigo.
Caminhando com a culpa nos braços, pelas mesmas ruas de outrora, mas agora severamente notado por aqueles por quem passei despercebido na noite anterior. Seria eu o verdadeiro culpado dessa barbárie infundadamente atirada sobre meus ombros? Como poderia eu, tão jovem ter caído nos braços desse demônio chamado amor?

3 Comments:

Anonymous Paula said...

Amor... Ah, esse demônio não tem idade!

Grande beijo

9:38 PM  
Anonymous Andressa said...

entonces fudeu, baby...mas pelo menos o amor te inspira...e como!!!

lindo! lindo!

4:27 PM  
Anonymous alex said...

meio tragido, mas e so ficção..

4:45 PM  

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